terça-feira, 23 de agosto de 2016

Capitulo 01

A casa


Abri o olho e vi a parede cinza meio desgastada, uma poltrona e uma televisão bem antiga, uma janela e um ventilador de teto.
-Olá, você acordou, eu sou a enfermeira Vânia, lembra seu nome? - a mulher de cabelo tingido de ruivo perguntou simpática. Fiz que não com a cabeça. -O homem que encontrou você trouxe sua bolsa e está na sala ao lado, talvez reconheça-o. Fiz que sim sem muita convicção. A mulher saiu do quarto por uma porta de madeira envelhecida. Em seguida um rapaz alto, pele clara, cabelo escuro, entrou por onde a enfermeira saiu. -Oi! -falou me olhando de forma preocupada.
-O-oi - gaguejei.
-A enfermeira disse que você não lembra seu nome, mas achei sues documentos e tinha que seu nome é Barbara Moreira, você tem 23 anos e é do Rio de Janeiro. - ele falou calmamente como quem explica que dois mais dois são quatro. -Você sofreu um trauma e perdeu a memoria - fez uma pausa - Sinto muito.
-E minha família, tinha mais alguém comigo? - perguntei me forçando a lembrar de algum detalhe.
-Sinto muito mas você vinha de um abrigo, uma espécie de orfanato, estava viajando com varias moças e apenas você sobreviveu. - minha cabeça começou a doer por conta do esforço que fiz para lembrar de algo, nada me vinha a mente. - O Dr. Amaral é meu amigo e lhe deu alta essa manhã..
-Eu não sei pra onde ir. - falei baixo.
-Minha irmã e eu moramos em uma casa, aqui nas redondezas, seria um prazer lhe abrigar pelo tempo necessário.
-Eu não quero incomodar, sinto-me muito confusa e perdida. -assumi impotente.
-Eu adoraria ajudar, se me permitir. - eu não tinha pra onde ir, não sabia onde estava, nem pra onde voltar. apenas aceitei com um aceno de cabeça. -Meu nome é Luan, será um prazer ajudar. - sorriu amistoso.
-Obrigada.

Nos momentos seguintes o quarto foi preenchido por enfermeiros e o que eu deduzi ser o medico que Luan falou.  Ele me explicou umas coisas e me deu alguns remédios que eu deveria tomar quando a cabeça doesse, me passou algumas recomendações, coisas que eu não poderia fazer até me sentir melhor por completo. 


Luan me guiou até a camionete antiga e abriu a porta para que eu pudesse entrar. 
-Minha irmã se chama Bruna, ela vai poder te emprestar uma roupa limpa para você tomar um banho e trocar algo limpo. 
-Eu não quero incomodar, serio. - falei suspirando. 
-A Bruna adora visita em casa.  - sorriu amistoso.  Seguimos em uma estrada de terra batida, percorremos cerca de dois quilómetros até avistar uma casa enorme, toda em madeira antiga, aquele tipo colonial. Fiquei encantada pela quantidade de verde que tinha naquele lugar, se não estivesse tão confusa, teria ficado feliz por está ali.

Ao chegar na frente da propriedade, Luan estacionou a camionete, desceu e abriu a porta para que eu fizesse o mesmo. Duas moças a nossa espera, uma de cabelos castanhos quase mel, me olhava de forma preocupada. A outra, de cabelos ruivos cacheados, me avaliava atentamente.
-Luan, eu já estava preocupada! - deduzi que essa fosse a irmã.
-Estou bem, Bruna. - a moça abraçou ele apertado.
-E essa quem é? - a ruiva quis saber.
-Camila, Bruna, essa é a Barbara. - apresentou -Ela ficara aqui pelo tempo que precisar.
-E o que ouve com ela, irmão? - Bruna me pareceu muito simpática, fui bem com a cara dela.
-Ela sofreu um acidente e está sem memoria. - Luan me olhou. -Mas por hora tudo está bem.
-Sem mais perguntas! - sorriu satisfeita.
-Isso mesmo. - Luan concordou. -Leve ela até um dos quartos e peça a Madalena que prepare um banho.
-Ela trouxe alguma bagagem? - Camila perguntou.
-Ela sofreu um acidente, não sobrou muita coisa, nada de roupas.
-Empresto uma minha, não tem problema. -Bruna me pegou pela mão.

Seguimos porta a dentro e fui guiada por uma sala grandiosa, uma escada e varias portas em um corredor aparentemente infinito.

-Babara, pode ficar a vontade, vou ver algo para você usar. - seguiu sorridente em direção ao móvel. Sentei-me na enorme cama, admirada com o quanto aquilo era lindo. -Você gosta desse? - me estendeu um vestido longo leve, todo florido.
-Não precisa se preocupar, se não for uma peça que goste muito, está bom. - falei sorrindo fraco.
-Usei poucas vezes, vamos ver se Madalena preparou seu banho. - me puxou pela mão em direção a porta.

Tomei um banho de banheira e me senti bem melhor depois disso.


-O vestido ficou lindo em você! -Bruna elogiou.
-Obrigada! - sorri tímida.
-Vamos jantar... uou - Luan saiu de uma porta que deduzi ser seu quarto. -Está bonita! -pigarreou
-Hm.. Obrigada! - fiquei vermelha. Quem não ficaria? um homem bonito elogiando assim, do nada.
-Vamos descer? Camila já deve está a nossa espera. Luan todo cavalheiro nos deixou passar a frente.


Quando eu senti o cheiro da comida meu estômago implorou por atenção.
-Que cheiro bom! - falei com agua na boca.
-Verdade, Madalena se superando sempre. - Bruna disse olhando pra senhora que sorria envergonhada.
-Comam ou vai esfriar. - disse com tom de autoridade. Notei que eles compartilhavam uma relação de maternidade.

Durante o jantar notei que por algum motivo a ruiva não foi com a minha cara e tentava a todo custo chamar atenção pra si. me concentrei em comer aquela comida deliciosa e apenas falava quando fui convidada.

-Barbara, gostaria de dar uma volta? -Luan disse durante a sobremesa.
-Eu.. ham.. sim! - disse embaraçada.  Camila quase engasga com um pedaço de pudim


Seguimos lado a lado em direção a porta de entrada, quando Luan abriu estremeci pelo frio.
-Ta frio, né? - soltou um risinho nasal.
-Ta, um pouco. - sorri.
-Vamos! - deu espaço para que eu saísse na frente.
Eu achei que deveria aproveitar a caminhada e perguntar algumas coisas que me atormentavam.
-Luan...
-Diga!
-Eu não sei nada sobre mim, me fala o que você sabe? - disse meia incerta.
-Eu só sei o que descobri nos seus documentos  e quando liguei pro lugar de onde você veio, não é muita coisa. - fiz sinal para que ele continuasse.  -Você é do Rio, como eu disse, tem vinte e três anos, e sempre morou nesse orfanato que depois de maior passou a trabalhar lá, me disseram também que você tava viajando para o Ceará, mas ninguém sabia o motivo. Varias garotas que viajam no ônibus morreram também, na verdade, só você sobreviveu. Não lembra de nada? - prestei atenção em suas palavras e desejei lembrar.
-Não - disse baixinho.
-Sinto muito, se quiser a gente pode ligar pro orfanato, eu vou ajudar no que você precisar.  - falou me olhando firme, senti um arrepio na espinha.
-Eu fico grata, é agonizante não lembrar nada. - respondi.

Ficamos em silencio por um tempo, até que ele falou.
-Vamos entrar? Amanhã a gente pode ir até a vila para que você ligue pro orfanato. - falou dando um meio sorriso.
-Claro! - concordei. Ele me acompanhou até a porta do quarto virei-me para ele.
-Boa noite, senhorita! - disse com um olhar encantador.
-Boa noite, Luan. - disse. Ele pegou minha mão e beijou-a com delicadeza. engoli em seco.
 Entrei no quarto ainda um pouco atordoada e caminhei até a cama e me deitei.  Peguei no sono entorpecida pelas novas descobertas.




---------------------------------
Olá!!! Primeiro capitulo está ai e eu espero que gostem, foi feito com muito carinho e tenho certeza que irão se apaixonar assim como eu. agradeço se deixarem comentários e opiniões. beijos! 


Twitter : https://twitter.com/luanscrush
Instagram pessoal: https://www.instagram.com/layvasc/



6 comentários: